Defesa por uma literatura brasileira
- Maurício Mafra

- 6 de jun. de 2017
- 5 min de leitura
Se alguém viu o post Início de tudo perceberá a importância da literatura, por isso esse blog será mais do que práticas ou teorias pedagógicas. Nós temos o intuito de fomentar a auto educação, melhorar a educação entre professores e alunos, orientar pais e mães de como educar seus filhos e o mais importante, educar esse aqui que vos fala. Não tenho a intenção direta de passar meus conhecimentos próprios, aqueles que eu mesmo desenvolvi, mas sim os pensamentos que julgo melhor advindos dos livros que leio e aulas que assisto, e dessa forma me auto educar também.
Como já ia falando, o post mencionado fala da importância da literatura, mas aqui vai uma reflexão, o que sobra de uma civilização quando ela deixa de existir? Ou seja, o que temos de mais importantes das antigas civilizações, seja ela romana, grega, egípcia, etc? Alguns podem falar da arquitetura. Bom, dessa ai fica pequena parte apenas, e além do mais, ninguém estuda como construir pirâmides ou catedrais bizantinas para os dias atuais, ficam apenas para os acadêmicos e curiosidades para as massas, então o que ainda reverbera das culturas antigas nos dias atuais? Sem sombra de dúvida é sua literatura. Tanto da grega como romana, mesopotâmica, medieval etc. Onde boa parte dela não será sobre coisas do cotidiano, venda de produtos por exemplo, se forem não será dado a atenção das massas e ficará apenas para fins acadêmicos, como muito se encontra nos texto cuneiformes, porém se algo consegue sobreviver a muito tempo sem desgaste será a literatura. Quem não conhece as histórias de Aquiles, Rei Arthur ou Dante, talvez menos conhecido seja Gilgamesh ou Musashi, sendo os primeiros inesquecíveis para os ocidentais, e por isso mesmo são o arcabouço que fomenta a nossa literatura. Isso porque todas essas histórias são formas literárias, sendo todas epopeias, que não necessariamente são escritas, elas podem passar de forma oral.
Então caso nossa sociedade brasileira deixa de existir o que ficará para os estudiosos futuros ou as próximas gerações? Talvez um texto do Barroco ou Romântico, um aqui e outro acolá. Talvez não sobre nada de verdade, pois um epopeia que una toda a nação é inexistente, a que mais se aproxima é a de Érico Veríssimo, o Tempo e o Vento, sendo ela uma grande epopeia do Rio Grande do Sul, mas e do Brasil mesmo aonde está? Será que não temos histórias para isso? Será que não possuímos capacidade de construir uma epopeia tão boa quanto as do passado? Minhas respostas são, a educação brasileira não se preocupou em educar e sim a macaquear jargões, a imitar e não a pensar. Vejamos por outro ângulo. Para tal precisarei de usar uma analogia.
Se caso você queira fazer um jantar para seu(sua) esposo(a), filho(a), amigos(as) ou seja lá quem for, até para você mesmo, do que você precisará logo de cara? Bons vegetais, carne e uma boa receita, e além de tudo isso precisa-se do melhor tempero de todos, que é o amor, você não faz um jantar para seu amado(a) da mesma forma que faz para encantar o chefe do trabalho, dos dois você precisa fazer uma boa comida, mas tenho certeza que para seu amado(a) você fará com mais carinho, dessa forma a comida sairá melhor.
Então usando-a para a pedagogia, qual é a principal pauta da maioria dos professores atuais? Com toda a certeza será o aumento do salário bem como o aumento das verbas para pesquisa, empregos, etc. Fazer algo apenas por dinheiro é corromper o amor e a verdade, que no final das contas só prejudicará a ele próprio. Se ficasse ai mesmo não haveria problemas, mas acontece que isso passa para seus educandos, e pior, os contamina a fazer o mesmo. A pedagogia brasileira em suas críticas a educação imperial e as mais antigas é simplesmente física, material, não tem nada de reclamar de educação em si, apenas que não havia escolas, professores, etc. Ou seja, são um monte de vendidos, e qualquer um que queira comprá-los eles se vedem. E vendem-se sem nem pestanejar, uma completa mesquinharia. Formando assim o que eu chamei de Educação Frankenstein, recortes de várias pedagogias. Não falo só no dinheiro, mas na promessa dela, de chegar a algum cargo público de relevância, ou círculo de poder, etc. O que eu considero a pior das coisas.
Mas voltando a educação literária mesma eu pergunto, quanto tempo leva para uma sociedade morrer? E eu te respondo, uma geração. Parece estranho, mas a sociedade que você viveu em sua infância é totalmente diferente da que vemos agora, e será daqui para duas gerações, e assim por diante. Então o que temos a dar para nossos filhos? Se não podemos dar-lhes a arquitetura, ou a economia, pois isso é apagado como rabiscos na praia, o que sobra? E a resposta é a boa literatura, e quanto mais densa ela for mais a sociedade continuará a ser boa como antes, preservando as melhores coisas e percebendo seus erros, concertando-os para os próximos da linha hereditária, chegando assim a alguma perfeição. Então o que produzimos para eles? No máximo passamos nossas histórias de jovens, aquelas passadas de família para família, e que ainda é o único laço que nos uni como nação, sendo esse laço o principal objeto de desprezo pela maioria dos pedagogos, desprezando a família e destroçando-as com ideias abstratas absurdas, como o casamento homossexual.
Se qualquer cidadão brasileiro possui uma epopeia para contar aos seus filhos, porque não há uma boa epopeia brasileira? Sobre a independência, guerra do Paraguai, segunda guerra mundial. Então debatendo com minha namorada, Mayara, propus produzir um poema épico sobre algum tema, não porque sou um bom escritor, pois me considero muito mal aliás. Contudo alguém com talento vai se sentir intimidado por uma pessoa menos talento que faz algo e ele não, fazendo-a crer que ela pode fazer melhor, e o fará. Não proponho que os poucos leitores que leram até aqui façam poemas épicos ou epopeias, proponho apenas que se conscientizem da importância de tal literatura, sendo ela a única passada de geração para outra, pois você pode até deixar uma herança para seus filhos, mas se não mostrarem o esforço que foi consegui-las, eles pouco importarão e destruirá sem saber a riqueza e o esforço que foi construí-la. Então a dica é, se for educar uma criança ou jovem, comece pelo que há de melhor na literatura, pois assim como um belo jantar se faz pela escolha boa dos seus ingredientes, um bom raciocínio se faz por uma boa literatura.
Aliás, construirei uma categoria aqui no blog sobre contos que procurarei, bem como contos ou poemas que farei, para perceber, como um termômetro, se são boas ou ruins, quentes ou frias. Pois a sociedade precisa disso, pois logo ela faleça ninguém irá ao seu enterro ou lembrar dos feitos no seu epitáfio.





Comentários